segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Chocolates e café nem sempre são tão doces


III


Fiz um bolo de chocolate com café pra ela, coloquei almofadas em prol do seu descanso, e dei-lhe um beijo na nuca de forma carinhosa. Minha magrela estava doente, parecia um bichinho assustado com a chuva, encolhia-se em forma fetal na cama, não suportava aquela gripe forte.

Mas sempre fui justo com meus amores, sempre procurei fazer com que as pessoas ao me redor se sentissem protegidas, e foi assim com ela naquele dia. Enchi-a de mimos da cabeça aos pés, aluguei um filme e fiz chocolate quente. Foi um dos dias que mais gostei de passar ao seu lado. Mesmo com as contas atrasadas, roupas mal passadas e sonhos não atualizados. Minha preocupação com sua felicidade era tão excessiva que acaba por esquecer de mim.

E seus grandes olhos verdes não pareciam tão radiantes como antes, tomava sua xícara de chocolate quente calada, olhando pra chuva caindo sobre a janela, nem sequer prestou atenção na parte que mais gostávamos do filme. A parte que o mocinho beijava a moça boazinha e ambos subiam na lambreta alegres e sorridentes. Sim, tínhamos certa queda por amor retrô, era o nosso forte. O amor contemporâneo nunca nos agradou.

Perguntei se o dia não estava tão agradável quanto eu achava que estava, e monossilabicamente ela respondeu: ‘Bobeira. ’ Não sei se era o seu desprezo repentino, mas ela estava linda aquela tarde, trajando uma camisola de seda rosa, que fazia um contraste magnífico com sua coloração branca. E não precisamos trocar muitas palavras, ou procurar formas de como abordar aquela situação pesarosa. Seus olhos transbordavam, pediam num suplicio calado a sua liberdade.

3 comentários:

Mario. disse...

Do CARALHO

Flavia Oliveira disse...

Espaço lindo... textos com muita profundidade... continue fazendo com que nossos olhos deliciem-se com teus textos...
bjs!

Unknown disse...

ahãm, eu sempre dou uma visitada aqui no seu blog.