
O que me aflige não são as constantes decepções,
as brigas perdidas,
as chances desperdiçadas.
E sim,
Os momentos não vividos,
Sentimentos que me privei de sentir,
a dor não adquirida e irreconhecida dentro de mim,
os sonhos incompletos,
palavras não ousadas em serem proferidas.
E se tua cidade relembra tuas antigas quimeras,
esqueça-a,
aborte-a sem receio das conseqüências
que isto possa trazer.
Se em seu armário houver vestígios de antigos desejos,
artefatos que relembrem alguma ocasião,
guarde-os com delicadeza e suavidade.
O assassinato completo do que já se fora
é apunhalar a nossa faculdade de memórias.
Por mais que esteja preenchida de fatos pertubadores,
a verdadeira essência da felicidade é aceitar a realidade,
tendo em base o aceitamento de tudo que já se foi,
o que parece,
o que está por vir,
o que podemos continuar mantendo com cautela e amabilidade
e o que perdemos mais obtemos como futura evolução.
E com a seqüência milenar do aceitar,
analisar,
questionar e compreender que nada permanece estático,
traz o tão sonhado aborto do que já se foi,
trazendo chances de seguir uma nova trajetória.


