terça-feira, 13 de novembro de 2007

Quimeras




O que me aflige não são as constantes decepções,
as brigas perdidas,
as chances desperdiçadas.
E sim,
Os momentos não vividos,
Sentimentos que me privei de sentir,
a dor não adquirida e irreconhecida dentro de mim,
os sonhos incompletos,
palavras não ousadas em serem proferidas.

E se tua cidade relembra tuas antigas quimeras,
esqueça-a,
aborte-a sem receio das conseqüências
que isto possa trazer.
Se em seu armário houver vestígios de antigos desejos,
artefatos que relembrem alguma ocasião,
guarde-os com delicadeza e suavidade.

O assassinato completo do que já se fora
é apunhalar a nossa faculdade de memórias.
Por mais que esteja preenchida de fatos pertubadores,
a verdadeira essência da felicidade é aceitar a realidade,
tendo em base o aceitamento de tudo que já se foi,
o que parece,
o que está por vir,
o que podemos continuar mantendo com cautela e amabilidade
e o que perdemos mais obtemos como futura evolução.

E com a seqüência milenar do aceitar,
analisar,
questionar e compreender que nada permanece estático,
traz o tão sonhado aborto do que já se foi,
trazendo chances de seguir uma nova trajetória.


quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Primavera em mim


A dor em mim criava raízes,
expandia-se,
tomava proporções incontroláveis.

As raízes tomando conta de mim,
galhos nascendo,
se retorcendo,
pedindo cuidados especiais.

Raizes cresciam,
trazendo mutações fantásticas,
das quais jamais arrependi-me.

Euforia surgia quando as folhas caiam,
perdendo a sua essência,
e seu cargo de vigilantes.


Cada uma tocava o chão,
uma por uma,
a primavera renascia dentro de mim.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Felicidade Incondicional




Naquela tarde sentei em um dos banquinhos de uma praça.

Ele pega um cigarro, traga, olha pro céu e joga a fumaça pra fora.

Torna a repetir o ato anterior e sorri.
E de uma forma inexplicável, eu sabia que aquela não seria uma simples tarde de verão. Os gestos, expressões faciais, o modo como se aproximava, todos estes pequenos detalhes supérfluos indicavam a existência de algo bem maior. Não somente em mim, e sim em nos dois. Numa espécie de dança as escuras. Esse era o nosso jogo. Nunca foi um martírio admitir minhas falhas mediante meu amor reprimido. Creio não ser a pessoa certa para dialogar sobre tal sentimento. Porém, possuo um histórico extenso quanto à faculdade de amar. Sim, amar no sentido literal da palavra. Em vagos momentos, lamento admitir que o amor seja apenas um escape. Um grande enriquecedor de cineastas fajutos, criando em seus filmes um mundo surreal, transpassando nossos desejos sublimes para uma falsa realidade. Sim, nós mesmos criamos nossos contos de fadas, encantados por simples ações do cotidiano. E com todas estas observações, nesta humilde praça, concluo que na verdade procuramos uma cópia do nosso ser, crendo este ser o caminho para a felicidade incondicional.