segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Um Trem para as estrelas






Numa simples madrugada de domingo a maioria das pessoas costumam estar dormindo e tracejando planos pro dia seguinte. Preparados pra mais um café da manhã de pão e sonhos.
Porém eu , uma jovem típica que dedica seu tempo ocioso a internet me surpreendi com a intensa vontade de ouvir Cazuza.
E foi difícil conter minha emoção ao ouvir a bendita melodia.
Pelo fato de reviver situações que outrora foram embaladas por sua música e por sua maestria literária.
Pois em suas letras tem fatos bastante interessantes , como a perfeita noção sobre o que retratava.
Tanto que ele definia a sociedade carioca como nínguem , possuía um olhar mais além , distinto dos jovens de atualmente.
Em 'Um Trem para as estrelas' o desespero e suavidade como falava sobre as incertezas em que vivemos , foi magistral :

'Estranho o teu Cristo, Rio
Que olha tão longe, além
Com os braços sempre abertos
Mas sem proteger ninguém'.


Pois bem , nem uma das sete maravilhas do mundo de 38 metros de altura pode proteger os maiores abandonados.
Sim , nos somos os maiores abandonados.
Tamanha grandeza às vezes tras espectativas , tanto culturais , pela sua fama, quanto espirituais.
Mas , a realidade é que não somos protegidos.
É algo tão simbolico que perde seu sentido real.
O cristo é uma forma de nos trazer esperança , força e vitalidade na vida.
Uma divindade que nos tras paz interior , mas abaixo dela sangue é jorrado , leite e pão não são colocados sobre a mesa , onde a miséria é o cenário devastador.


Esse é o ponto forte de suas letras , descreve tanto a sociedade em que ele vivia , como a que se seguiu.
E com sua letra e o Cristo Redentor , deveriamos repensar os nossos valores.
Até porque ainda existe muitas pessoas que seguem desnorteadas , desesperançosas , sem um motivo pra correr atrás de seus ideais.
Não é justo viver sobre a realidade pão e circo.
Seria certo sofrer pra depois ser feliz?.
Acho que 'Um trem para as estrelas' responde , em seu desespero calado :

'Eu vou dar o meu desprezo
Pra você que me ensinou
Que a tristeza é uma maneira
Da gente se salvar depois'

terça-feira, 2 de setembro de 2008

O poeta





O poeta é o motorista , a dona de casa , a mãe que amamenta o filho , a revolta do salário mal pago , o desenho pintado no quadro , as mãos calejadas do trabalhador , a despedida , a criança correndo no parquinho , a bala perdida que mata alguma pessoa querida , os menores abandonados.
O poeta não existe.
O poeta são as pequenas coisas , são as ações do cotidiano , são as dores que vivenciamos.
O poeta simplesmente escarra , espreme o pus da dor , transcreve a mágia que queria viver em vida.
Pois a literatura é a nossa arma , é a revolta que ocorre dentro de nos.