segunda-feira, 29 de dezembro de 2008






Tento transformar as palavras em máquina fotográfica,
ao ver teu semblante.

Descrever-te,
é essência da complexidade.
Tarefa pretensiosa.

Precisaria transcender
entrar em contato com outros universos
entender a maestria das pequenas coisas.

Teus olhos assemelham-se a pérola brilhando
No interior das conchas
Ora, brilham, de contento
Ora fecham-se, quando algum admirador se aproxima.

És assim
teu coração

Oco por dentro
Velado

A descrição de teu ser
torna-se impossível,
um mistério pra mim.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Joana e a caneta esferográfica




1

A caneta esferográfica deslizava sobre a folha a4 nervosamente.
Ora falhava , ora voltava a funcionar.
No fundo , uma música excêntrica era entoada por um cantor britânico no rádio.

Uma , duas , três.
Todas as folhas iam sendo amassadas de uma só vez.
A frustração percorria sua face , até então adormecida pelo tempo.



O suor tomava conta da pele , dos poros , do corpo em um todo.
Procurava idéias de toda forma possível.
Relembrou como via sua cidade quando mais nova , e como o mundo mudou seu aspecto
belo depois de ter crescido.
A mágia havia se perdido , o espetáculo era mero truque de um mágico , e as
cortinas se fecharam cedo demais.


2


Mas ela persistia , a caneta corria pra frente , pra trás , pros lados.
Anotava , sorria , logo após apagava.
E isto se repetia diversas vezes.



Uma , duas , três.
Todas as folhas iam sendo amassadas de uma só vez.


Ela sonhava com as estrelas , o céu e o mar.
Conversava com os peixes , ria das ostras , nadava com as sereias,
rolava na areia e sentia o luar pesar sobre os seus olhos.
Joana queria tranpassar esses seus segredos , que até então ninguém sabia.
Entretanto sua grande inimiga , a folha, a impedia.
Pois o que ela queria escrever , existia.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Malandragem , Caipirinha e Futebol





- 'Jogue fora seus lápis de cor , e esses cadernos onde você escreve baboseiras cotidianas' - dissera em tom sátiro.
Nunca entendo os conselhos que os mais 'velhos' ordenam em seu conservadorismo excessivo.
-'Amasse esses papeís onde escreves pensamentos baratos e sonhos bons só quando imaginados. Regue plantas, pague contas, encha a cara de bebidas quentes depois do trabalho , e não se esqueça de rezar antes de dormir , pois pedir misericórdia pelo nossos atos levianos sempre faz bem. Um ave maria e um pai nosso mudam o mundo.' - insistira novamente.


Sendo honesta , nunca me apaguei a esses mandamentos do dia-a-dia. Até porque , a nossa concepção do certo e errado é tão deturpada , tão ligada aos aspectos errôneos de nossa sociedade. Somos um país que outrora foi colonizado , e devido a isso devemos acreditar na ideía de transitoriedade e mudança. Nada é tão ruim que dure tempo indeterminado, mas quando ocorre falta de união tudo tende a desabar.
Malandragem , caipirinha e futebol - malditas rotulações - fazem bem , mas não nos limitemos a isso. Pois felicidade ilusória são como pragas em plantação.
Então plantemos sonhos , ao invéz de contentarmos com derrotas não anunciadas.

domingo, 7 de dezembro de 2008





Nela ,
era tudo poesia,
ritmo ,
melodia.

Descompasso,
mudez,
neblina.

Ela ,
era a inconstância
desejada por mim.