
1
A caneta esferográfica deslizava sobre a folha a4 nervosamente.
Ora falhava , ora voltava a funcionar.
No fundo , uma música excêntrica era entoada por um cantor britânico no rádio.
Uma , duas , três.
Todas as folhas iam sendo amassadas de uma só vez.
A frustração percorria sua face , até então adormecida pelo tempo.
O suor tomava conta da pele , dos poros , do corpo em um todo.
Procurava idéias de toda forma possível.
Relembrou como via sua cidade quando mais nova , e como o mundo mudou seu aspecto
belo depois de ter crescido.
A mágia havia se perdido , o espetáculo era mero truque de um mágico , e as
cortinas se fecharam cedo demais.
2
Mas ela persistia , a caneta corria pra frente , pra trás , pros lados.
Anotava , sorria , logo após apagava.
E isto se repetia diversas vezes.
Uma , duas , três.
Todas as folhas iam sendo amassadas de uma só vez.
Ela sonhava com as estrelas , o céu e o mar.
Conversava com os peixes , ria das ostras , nadava com as sereias,
rolava na areia e sentia o luar pesar sobre os seus olhos.
Joana queria tranpassar esses seus segredos , que até então ninguém sabia.
Entretanto sua grande inimiga , a folha, a impedia.
Pois o que ela queria escrever , existia.