quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Apesar de tudo , eles ainda acreditam.



Ela possuía diversos vícios , entre eles a eterna briga com a roupa antes de ir de encontro ao trabalho (nunca achava a cor certa). Apreciava cinema e o esplendor misterioso da fotografia , mas isso não a impedia de deliciar-se ao sorver um Cointreau nas tardes de inverno, aborvendo-se de alguma cultura inútil.
Ele tinha um obstinado interesse por carteado e boxe. Gostava de cozinhar vendo a praia diante da gigantesca janela. O mar , juntamente com a areia, esticava-se , criando um grande tapete. Os transeuntes , absortos com a beleza indescritível do extenso ponto azul , seguiam com um sorriso momentâneo em suas faces. Porém , o crucial é que ele lê histórias em quadrinhos e frequenta as belas cafeterias de sua cidade. Obtinha toda uma simplicidade das coisas e odiava excessos.

Ela , Marília , a amante de cinema e fotogragia , simplesmente amava filmes românticos e toda aquela ideía de felicidade conjugal , mas não sabia amar. Nínguem lhe dera as regras , ou um manual adequado ensinando perfeitamente tal martirio. Se fossemos levar em conta o fato dela gostar do idelismo romancista , chegariamos a conclusão de que algo de bom e valioso havia de ter naquela mulher. Em contra-partida, Marcos , seu atual companheiro - o fâ de boxe e carteado - nunca abria mão de ser feliz por medo do que podia vir, e aproveitava as poucas e boas chances que surgiam em seu caminho.

- 'Permita-se amor , essa é a chance de ser feliz. Não a sua ou a minha. E sim a nossa chance de sermos felizes. - Ele dizia entre sussurros e risos.

- Ser feliz é tão relativo. Isso tudo me assusta tanto - Declamava em seu pessimismo romântico.

Algumas vezes os dois persistiam nestes diálogos inconclusivos , e com muito êxito tudo dissolvia-se em longas doses de sentimentos bons e respeito. Definitamente afirmo , nem tudo era perfeição e caramelo no cotidiano dos dois. Talvez a graça esteja nos pequenos grandes atos , que em muitos momentos passam despercebidos. E esse é o grande dilema , nos humanos estamos nos tornando inumanos. Correndo de atitudes afáveis e desacreditando no bem. Há os adeptos da nova fobia da sociedade contemporanea , o medo. Embora eu já tenha vivido e degustado em pratos frios esse vírus letal , hoje em dia não admito tal massacre , e insisto em manter-me nos antigos alicerces : a honestidade e integridade. Esse sim é sempre o melhor caminho a ser seguido , a melhor escolha

Nenhum comentário: